Umav Ozatroz

rimando, aspirando, transformando

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Ser poeta

ser poeta é ser atormentado
ser presa fácil é ser inseguro
ser canalha é ser ator melado
ser palhaço é ser que leva murro

daki

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Nuvens

abre tua janela
deixa correr vento
levando lamento
lágrimas são belas
condensadas
em nuvens

Alvorada

Vem, verte teu calor sobre mim
Tenho frio de gelar ossos
É tanto que nem andar posso
Inerte qual estátua de jardim

Vem, faz de tesouro esse jardim
Folheado a ouro ele jaz nosso
Todas rosas, lírios e lótus
Com a última flor do latim

Vem, canta a meus ouvidos em latim
Ergue tua voz lenta em sonoro
Cântico que, esperançosos
Core nosso sangue carmesim

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Nostalgia

Planejava mil aventuras
Pra quando fosse gente grande
Lembrou-se de mil travessuras
Chorou por tesouro distante

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Futebol

Acuado pelo brado da torcida
Juiz levanta o vermelho cartão
Logo em partida tão decisiva
Foi-lhe cair corpo estirado ao chão

Atentava aos lances mais à frente
Quando lá atrás começava confusão
Era um empurra-empurra descontente
Que exigia rápida punição

O juiz não viu o que se sucedeu
Tinha a vista turva pela paixão
E no disse-me-disse se perdeu

Viu o que não havia e sem razão
Ao ídolo da multidão temeu
Expulsou-o e foi chamado ladrão

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Arrancada

Arrancou das palavras
A dor no peito
Ardor no leito
A flor no seio
A coito feito
A cor do jeito
Acordo leigo
Açoite feio
A noite veio
Ator tão meigo
Acorrentei-o
Atordoei-o
A morrer meio
Andor floreio
A morte aceito

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Inferno

O inverno
Não é quente, é frio
Gemente me penitencio
E hiberno

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kire

Desconfiava!
Velha navalha falha
Nunca afiava

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frio

ninguém viu
a cotovia partiu
a gaiola vazia
sem serventia
o gato calado
nem um miado
as nuvens pesadas
descortinadas
o álcool nos lábios
acorda um sábio
viu o universo
em sonho sem verso
murmurrar desconexo
só pensa no sexo
as bundas corridas
pelas mãos escorridas
no céu passa um vulto
passado avulso
o copo vazio
e nem mais um pio
só o vil frio brio

Recital

Aturdido, levanta-se o pianista
Nos escombros avista sua platéia
Cabelos grisalhos de muitos turistas
Corpos mutilados em uma panacéia

O recital corria magnífico
Seus dedos ágeis encantavam os ouvintes
Até o momento do acorde maléfico
Piano explodiu em literal acinte

Lembrou-se então das guerras nos bastidores
Das ameaças mascaradas sem nomes
Num instante entendeu a artimanha fatal

Só não contavam com explosão tão gritante
Resultado de performance gigante
E próprio Liszt ainda vivo e transcendental

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