Umav Ozatroz

rimando, aspirando, transformando

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Roceira

a roceira trajava glamuroso uniforme social
e usava máscara envernizada a civilização
empunhou sua metralhadora e soltou a voz
saiu asneira no surdo grito em meio a barulheira

coadjuvantes insólitos

o terno armani rasgou-se ao catar da calçada o centavo do bolso furado

perdeu um olho mas ganhou invejável corpo ao fazer dieta o caolho gordo

par de olhos tímidos retirou-se para a privacidade de um óculos-de-sol

resmas de papel em revoada acorbertaram a saia que se revoltava

errantes sapatos acertavam os passos rumo a sandálias vagabundas

em círculos pequenos circulava um rumor de que aquela roda não girava bem e tinha tara por pés

o tapete aceitou submisso o suborno da vassoura

duelaram amavelmente até o amanhecer empunhando uma só espada

parede de tijolos passava o tempo com quebra-cabeças no hospício

seu requebrado partiu ao meio o coração enciumado

o colarinho frouxo reclamou ao amigo que, espumando de raiva, matou a sede e as mágoas

o queijo no anzol fisgou quase toda a ninhada daquele mar de merda

uma verve mágica encantava multidões com palavras que a cobiça surda invejava

Ególatras Anônimos

alinhado aos sulcos nas bordas dos braços fechados o mecanismo da dor girava insone por filigranas colores em curvas tangenciais aos intempestuosos casulos em abandono de vestidos de seda rasgados e repartidos por irmãs recém-convertidas ao templo do consumo em órbitas regulares de olhos vidrados em vidraças sepulcrais para transeuntes blasé disfarçados de clérigos que salpicavam benção a inoportunos ventres alheios ao pensamento disforme do velho que vertia cevada e falava abobrinha sobre nada

ofendeu-se com a ofensiva e ofendeu-os com a defensiva

procurei pelo sentido no cerne de meu ser
doeu
definitivamente sentido

o falatório no refeitório foi servido pelo osório

falanges malignas irrompiam em sua mente cravando idéias sem rumo pela coluna cervical subserviente aos temores de senhores pastores de almas revoltas mumificadas pela mídia devassa do tubo infecto canalizando desventuras por cima de muralhas ombreando jardins ressequidos e remotas lembranças floridas

gorjeou vacilante lá do mato
regojizou exultante o ágil gato

engoliu o ego e arrotou um cego

aportavam a antenas dramas em veleiros por ondas no ar
interferências batiam forte em noveleiros com olhos a borrar

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Boteco do Quintana, 26 de Março de 1827

Favor não interpretar, sentir, analisar, desconstruir, criticar, comentar, responder ou enxergar-se no escrito. Grato.

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Desvários

1.
Desvairava olhares
Elucubrando perdições
Sofregou-se amares
Ignobilizando tensões

2.
Quando deu-se por eles
Soluçava solução
No calendário meses
Postergou-lhes produção

3.
Escorreu-lhe idéia
Lavou e secou ao sol
Brotou-lhe azaléia
Valeu o esforço mental

4.
Arregimentou alguns
A muitos não convenceu
E então se sucedeu
Vivo não sobrou nenhum

5.
Sem tato tentava
Tatear no escuro
Em breve sentava
Cego, taciturno

6.
Seduzidos por doce
Melosa melodia
Marchavam rumo à foice
Flautista os conduzia

7.
Magicava musicais
Encantadas produções
Gorjeavam animais
Boleravam pastelões

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