Umav Ozatroz

rimando, aspirando, transformando

Alvorada

Vem, verte teu calor sobre mim
Tenho frio de gelar ossos
É tanto que nem andar posso
Inerte qual estátua de jardim

Vem, faz de tesouro esse jardim
Folheado a ouro ele jaz nosso
Todas rosas, lírios e lótus
Com a última flor do latim

Vem, canta a meus ouvidos em latim
Ergue tua voz lenta em sonoro
Cântico que, esperançosos
Core nosso sangue carmesim

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Ególatras Anônimos

alinhado aos sulcos nas bordas dos braços fechados o mecanismo da dor girava insone por filigranas colores em curvas tangenciais aos intempestuosos casulos em abandono de vestidos de seda rasgados e repartidos por irmãs recém-convertidas ao templo do consumo em órbitas regulares de olhos vidrados em vidraças sepulcrais para transeuntes blasé disfarçados de clérigos que salpicavam benção a inoportunos ventres alheios ao pensamento disforme do velho que vertia cevada e falava abobrinha sobre nada

ofendeu-se com a ofensiva e ofendeu-os com a defensiva

procurei pelo sentido no cerne de meu ser
doeu
definitivamente sentido

o falatório no refeitório foi servido pelo osório

falanges malignas irrompiam em sua mente cravando idéias sem rumo pela coluna cervical subserviente aos temores de senhores pastores de almas revoltas mumificadas pela mídia devassa do tubo infecto canalizando desventuras por cima de muralhas ombreando jardins ressequidos e remotas lembranças floridas

gorjeou vacilante lá do mato
regojizou exultante o ágil gato

engoliu o ego e arrotou um cego

aportavam a antenas dramas em veleiros por ondas no ar
interferências batiam forte em noveleiros com olhos a borrar

———-
Boteco do Quintana, 26 de Março de 1827

Favor não interpretar, sentir, analisar, desconstruir, criticar, comentar, responder ou enxergar-se no escrito. Grato.

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Você

Eu digo a você
Triste figura no espelho
Você é falso
Você é fake
Você é troll
Você é assombração
Você é múltiplos reflexos se estendendo ao infinito, cada vez mais distorcido e torpe
Você não existe
Eu tenho dó
De você

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Monotonia

Cansado de bradar palavras ao vento
E só receber eco de volta
Resolveu cuspir
Regojizou-se com o xingamento

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Casa de Espelhos

Acostumei-me a passar o tempo
Em uma Casa de Espelhos
Uma atração de Parques de Diversões
Onde você paga para ver imagens distorcidas
De si mesmo

Quebrei esse vício antes que enlouquecesse
Virando mero reflexo de mim mesmo
Ou mais um espelho
Distorcido

Hoje prefiro janelas

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Nostalgia

Planejava mil aventuras
Pra quando fosse gente grande
Lembrou-se de mil travessuras
Chorou por tesouro distante

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Futebol

Acuado pelo brado da torcida
Juiz levanta o vermelho cartão
Logo em partida tão decisiva
Foi-lhe cair corpo estirado ao chão

Atentava aos lances mais à frente
Quando lá atrás começava confusão
Era um empurra-empurra descontente
Que exigia rápida punição

O juiz não viu o que se sucedeu
Tinha a vista turva pela paixão
E no disse-me-disse se perdeu

Viu o que não havia e sem razão
Ao ídolo da multidão temeu
Expulsou-o e foi chamado ladrão

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Arrancada

Arrancou das palavras
A dor no peito
Ardor no leito
A flor no seio
A coito feito
A cor do jeito
Acordo leigo
Açoite feio
A noite veio
Ator tão meigo
Acorrentei-o
Atordoei-o
A morrer meio
Andor floreio
A morte aceito

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Inferno

O inverno
Não é quente, é frio
Gemente me penitencio
E hiberno

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kire

Desconfiava!
Velha navalha falha
Nunca afiava

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