Umav Ozatroz

rimando, aspirando, transformando

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Correnteza

Ecoava por toda a floresta
Desde a foz até as cachoeiras
Riscava como veia aberta
Trazendo vida por suas beiras

Doce sussurrar sempre correndo
Por vias largas ou estreitas
Levava vida e alimento
Trazia sonhos para colheita

Um dia lhe represaram a foz
O rio secou e o bosque mudou
A vida seguiu seu curso atroz

Mas quem liga pra ecologia?
Um lenhador e sua esposa
Agora tinham casa quentinha

Última Fornada

lindo poema
tempo lento não tema
sinta o vento

daki

 

Senhora Lua
Ilumina a trilha
Traze-me à tua

daki

 

sopros de musas
almas alçando vôo
em doces brisas

daki

 

brisa gostosa
após temporal do mal
traz uma rosa

daki

 

Mãos dadas cruzam
Estrada arriscada
Sorte abusam

daki

 

Nesse oásis há uma fonte
Donde água brota profusa
Quem dela bebe pleno muda
Dá confiança aos viajantes

daki

 

leitor faminto
cativante cativo
dou pão de trigo

daki

 

papel de bombom
amassado no chão
amasso tão bom

daki

 

Palavras soltas
Vento lento as leva
Semeia e molda

daki

 

Chá de cidreira
Doce gole acolhe
Rimas arteiras

daki

 

Tímido saiu
De trás d’escuras brumas
Sol lento sorriu

daki

 

em mundo insano
dava razão à razão
ledo engano

daki

 

uma voz atroz
se calou e suavizou
só amor e paz

daki

 

desliza paixão
sobre corpos amorfos
manteiga no pão

daki

 

Anjo poeta
Da pena poema cai
Asas abertas

daki

 

Não achei que assim seria. Pensei que só de dores e poemas em sangria viveria. Mas parece-me que estancou e cá estou eu a falar da flor…

daki

 

suspiros tenho
também sonhos risonhos
bom ser padeiro

daki

 

solidão sem fim
meu amigo umbigo
não vive sem mim

daki

 

Aqui registro
Gratidão de antemão
Nunca desisto

daki

 

Sonha morena
Receita que deleita
Doces fonemas

daki

 

com sangue e dores
desenho à mão no chão
bouquet de flores

daki

 

clamor da noite
me chama para a chama
amor sem corte

daki

 

Canto infindo
De um coração na mão
Musa ouvindo

daki

 

faz bela rosa
pedras sorrir e partir
queda ruidosa

daki

 

Obscura rua, sempre deserta
Todos desviam de seu caminho.
Pelo lado bom, placa alerta:
“Sem trânsito, passe rapidinho!”

daki

 

Pão bolorento
Perfeita receita pra
Doce lamento

daki

 

Calada lua
Luz ao silêncio conduz
Amor mergulha

daki

 

Musa suspira
Suada lágrima cai
Inspira haicai

daki

 

Brilho intenso
Em versos que condenso
Emerso filho

daki

 

Tenho comigo sobrando
Alguma sanidade
Tendo felicidade
Podemos fazer escambo

daki

 

triste marujo
da sina que fascina
leitores mudos

daki

 

Homens ilhados
Lançam garrafas ao mar
Peixes bêbados

daki

 

dinheiro na mão,
fim da solidão enfim:
calcinha no chão

daki

 

Longa viagem
Percalços na estalagem
Passos em falso

daki

 

massa perfeita
receita para sabor
de pão com bolor

daki

 

Teia tecida
Sutil beleza mortal
Ceia servida

daki

 

De sol ou lua
Amores pintam cores
Branca luz nua

daki

 

Vários espelhos:
Uma mulher em cada.
Só, espelhada.

daki

 

Pessoas partem
Poemas percorridos
Palavras perdem

daki

 

Desigual furor
Espadas versos chifres
Jaz toureador

daki

 

Perdão, amigos
Canção deste coração
Fica comigo

daki

 

Desejo em flor
Labios como pétalas
Olhos de amor

daki

 

Rubro chafariz
Seco, enferrujado
Cicatrizado

daki

 

Doce recheio
Sem: sonho medonho
Com: devaneio

daki

 

Fonte profusa
Jorra sem fim sobre mim
Cantos das Musas

daki

 

Vejo que aderiste
À onda do poementário*
Que em discurso ordinário
Prosa morra triste

* neologismo por Caito
daki

 

Mensageiro de amantes
Portador de notícias
Porta dôr e delícias
Vai carteiro adiante

daki

 

nem um minuto
haikai leve breve sai
fica, contudo

daki

 

Precisa de mim?
Quer versos ou reversos?
Paz se faz assim.

Lido mas não entendido. Perdão, rebati de imediato quando li o título, sem entender o propósito exato. Nesse caso:

Escrevo porque a vida bate forte e revido.
Também escrevo quando vejo tantos carentes de pão.
E por gratidão.

daki

 

Quanto mais como
Mais fome tenho
Mais sono tenho
Quanto mais durmo

daki

 

Vim vi venci
Convenci arrependi
Vacilei perdi

daki

 

cadenciado encadeamento de sentimento setenciado

daki

 

Que tal com haicai?
Qual o mal em pão de mel
Que da pena sai?

daki

 

Tempo amigo
Desfaz sombras, traz pombas
Ando contigo

daki
e daki

 

Versos plantados
Germinam: dores minam.
Colhem amados.

daki

 

Uma sereia
Mar que canta encanta
Traz à areia

daki

 

Haicai cai como
luva de luta de box
Potente soco

daki

 

Lua cansada
Colheita acolhida
Sol na enxada

Lavrador dorme
Cansado descasado
Sonho disforme

daki

 

Cá poeta jaz
Imolado em fado
Belezas fatais

daki

 

Massagista para todas dores,
Ocupado em nobre ofício
Quem te acode em hora difícil?
Coração parado por amores…

daki

 

Sabor de língua
Liberada letrada
Poema singra

daki

 

Trigo moído
Moldado em poema
Amor sentido

daki

 

poesia de verdade vem da dor, saudade ou ardor. Enfim, necessidades. Quem já tem o que precisa não sente necessidade de cantar, de desabafar.

Logo, poesia não é profissão, é necessidade. Se conseguir ganhar algo material com isso, tanto melhor para ti. Mas a História registra que todo grande poeta assim hoje conhecido em sua época ganhava a vida com outro ofício. Ninguém se lembra do que eles faziam, mas de seu deleite das horas livres todos lembram e reverenciam.

daki

Temporal Musical

Sopro que dá fôlego
Renova esperanças
Cura andar trôpego
Ou dele faz crianças

Sussurros ao ouvido
Quase imperceptíveis
Ou berros sem sentido
Desafios sensíveis

Incessante temporal
Palavras em estrofes
Catástrofe natural

Deságuam em ouvidos
D’uns poucos pobres mortais
Sem ter paz, encolhidos

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haicai pioneiro

Tiro meu chapéu
Libertos vão os livros
A voar no céu

 

Elegia para Michael Hart, pioneiro dos ebooks.  Não fossem os inúmeros ebooks no domínio público de seu magnífico Project Gutenberg, provavelmente eu não estaria escrevendo aqui hoje.  Antes de me atrever a escrever poesia, li de meu smartphone numerosos volumes de poesia de Emily Dickinson, Shakespeare, Camões e outros graças aos esforços de inúmeros voluntários em converter a literatura universal para um formato digital livre de amarras.  Tiro meu chapéu para o projeto e seu visionário fundador recém-falecido.

Literatura brasileira clássica está em falta por lá.  Vamos contribuir?

 

Apropriada

Belas curvas que seduzem
Trazendo encanto ao olhar
N’alva tez bactérias surgem
Nesse caso basta lavar

Quando mais preciso de ti
Lá estás sempre a me esperar
Atenciosa me sorri
Aberta ao gozo a jorrar

Em casa a tenho só pra mim
Minha companheira fiel
Provas apenas do meu mel

Mas na rua é vagabunda
Imunda boca pútrida
Mera latrina pública

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Funerais Magistrais

Cadáveres nus
Enterrados em trevas
Sem das almas luz

Teu lar tumular
Pétreo etéreo
Terra secular

Noite sepulcral
Folha vira, suspira
Queda triunfal

Música sem som
Lástima sem lágrima
Corpo sem teu dom

Velas acesas
Pesadas faces tesas
Sombras caladas

Branco jaz lírio
Mórbido em fascínio
Óbito em flor

Cava coveira
Cava a própria cova
Curva caveira

Inspiração

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haicai espatifado

há cacos de mim
espalhados quebrados
por vários jardins

daki

Penumbra

As pessoas e seus problemas
Caminhando sempre juntas
Causando sempre um celeuma
Quando na escuridão turva
Semblantes belos são apenas
Envoltórios de sombras duras

Não posso enxergar sem luz
E não há luz sem sombras
Mas prefiro penumbras
Que a juízos não conduz

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Violeiro

Vilão velejante
Velozmente vento
Assovia
Ventania
Valente veneno
Violão valsante
Vivencia

daqui

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Reflorestamento

Quem sabe de versos assim plantados
Poética geração brote e floresça?
Possamos sonhar com rica floresta
Em lugar de toscos campos queimados…

 

daqui