Umav Ozatroz

rimando, aspirando, transformando

Arquivos Mensais: setembro 2011

Lufada

Sinto a inspiração chegando
Como lufada de vento
Trespassante sentimento
Coração arrebatando

Versos pelo ar a bailar
Carregando teu desejo
Sobrevoam lugarejos
Um coração a procurar

Perdida em um deserto
Árido e seco em ardor
Julga o errado ou certo:

Falecer só de tanta dor
Ou cavar buraco perto?
Mas versos chovem teu amor

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Picadeiro

A expectativa é grande
A platéia está muda
No palco os figurantes
Saem de cena às surdas

É visto de relance
Nariz bola vermelha
Cabeleira ondulante
Roupa larga de ovelha

Presença de elefante
Ladrão de gargalhadas
Brilham qual diamantes

Mas não neste instante
Quando é desmascarada
Paixão por sua amante

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Atrasado

Padeiro preguiçoso
Acordou hoje tardão
Não tem bolo gostoso
e nem migalha de pão

Morena olha feio
Faz careta de fome
Faço broa ligeiro
Pra não ficar insone

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Conserto para teclado

tecladistas dão seus últimos acordes
nessa sinfonia desconcertante
não é o peso do piano que faz fortes
as emoções que nos tomam dançantes

 

daki

Picnic

À beira da lagoa me sento
O dia ensolarado é propício
Os cabelos esvoaçam ao vento
Meus pensamentos voltam ao início

Vejo-te em saia enluarada
Presa em teu claustro na lonjura
Pelas estrelas emoldurada
Cantando tuas dores para a lua

Cá estou hoje a preparar um picnic
Trouxe bolos, delícias e frutas
A belle paisagem magnifique

Minha morena trará as trufas
Brindaremos com um vinho bem chic
Nosso amor saboroso de uvas

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Palpite

Meu coração palpita sem parar
Palpita que seremos muito felizes
Homem e mulher felizes a se amar
Reconstruindo sonhos sem deslizes

Emudecido

Quis pintar o mais belo quadro
Compor a mais linda música
Mas sempre me sinto acuado
Por tal presença tão única

Como o Everest para um morro
É esta a paixão das paixões
Muito além de qualquer adorno
Amor emudece corações

Meus traços não lhe fazem jus
Minha voz rouca é pouca
Todas tentativas vãs sem luz

Tento por último um poema
Não retrato nem paixão louca
Só o sorriso da morena

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Correnteza

Ecoava por toda a floresta
Desde a foz até as cachoeiras
Riscava como veia aberta
Trazendo vida por suas beiras

Doce sussurrar sempre correndo
Por vias largas ou estreitas
Levava vida e alimento
Trazia sonhos para colheita

Um dia lhe represaram a foz
O rio secou e o bosque mudou
A vida seguiu seu curso atroz

Mas quem liga pra ecologia?
Um lenhador e sua esposa
Agora tinham casa quentinha

Rapidinho

passo aqui rapidinho
para lhe deixar um beijo
tascado com muito carinho
para alimentar nosso desejo

(para Claudia)

Afinado

Quero pegar na tua mão
Para fazê-la diapasão
Com ela acertar o tom
De meu rouco coração

Velho instrumento de cordas
Formato de bela mulher
Quando teu dedo o toca
Melodias suspira em maré

Nosso canto se levanta
Acompanhando nossa dança
De corpos em harmonia

As cordas são dedilhadas
Versando a coda, retesadas
Soltas ao fim da sinfonia

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