Umav Ozatroz

rimando, aspirando, transformando

Abdicatória

À minha ex-mulher, demente e acabada
  Ofereço esta humilde dedicatória
  Registro vil de tão linda história
Para boi dormir que coração arrebatava.

Musa maior minha, fonte de inspiração
  Incessante aos ouvidos, giratória
  Metralhadora de rancores, escória
Desgraçada que tanto traz perdição.

Graças a teus esforços em me arruinar
  Me descobri poeta por pouco
  Antes isso que morrer louco
E assim tuas mágoas me ponho a cantar.

Agora de teu choro interminável
  Faço música aos meus ouvidos.
  Ao término de fados sentidos
Já peço bis: “em ré menor! Um Ravel!”

            * * * * *

E assim tu me chamas de inominável
  E mais outros por entre gemidos
  Crente que termos depreciativos
Me tornarão tanto menos imprestável.

Até entendo um tanto de teu prantear
  Que surdo me faz e também rouco
  Tentando conter o teu arroubo
Com palavras atrozes a te inspirar.

Conheço os segredos de teu coração
  Melhor que ti pois da História
  Cruel faceta me vem à memória:
Estupros infindos de povo em formação.

Lágrimas remotas de caboclas violadas
  Ressurgem no presente, inglórias
  E a tudo explicam, premonitórias:
A demente impaciência, a felicidade abdicada…

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