Umav Ozatroz

rimando, aspirando, transformando

Esgoto

Escondidos nos grandes centros urbanos
  Remoendo por dentro suas entranhas
  Pequenas criaturas sujas e estranhas
Sobrevivem de dejetos, podres e inumanos.

Vorazmente à procura de novos sabores
  Deixam suas tocas e sua grande prole
  Nas sombras andando, temor que demole
Impregnando fétido o ar com seus odores.

Olhos assustados, terrivelmente famintos
  Sempre para baixo não miram o céu
  Não leem nas estrelas destino cruel
De quem nunca cultiva sonhos lindos:
Vivem pesadelos sem nenhum sentido
  Tendo de música ruído e escarcéu
  Nenhum poema a cantar menestrel
Suas dores e mágoas por becos perdidos.

Ferozmente à procura de quaisquer labores
  Deitam voz pouca em berro que engole,
  Às sombras morrendo, aquilo que lhes tolhe
Esgotados em praguejar os seus predadores.

Entretidos nos grandes centros urbanos
  Remoendo de dentro de suas entranhas
  Pequenas culturas surdas e insanas
Sobrevivem os dejetos, pobres humanos.

Postado do WordPress para Android

Anúncios

Recite também!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: