Umav Ozatroz

rimando, aspirando, transformando

Arquivos Mensais: julho 2011

Fogo e Gelo

Alguns dizem que o mundo acabará em fogo,
Outros dizem em gelo.
Do que provei do desejo o jogo
Fico com aqueles que favorecem fogo.
Mas se tivesse que duplamente sofrê-lo,
Acho que conheço bastante do ódio
Para dizer que para destruição gelo
Também é ótimo
E suficiente para tê-lo.

— Robert Frost, Fire and Ice

Original:

Some say the world will end in fire,
Some say in ice .
From what I ‘ve tasted of desire
I hold with those who favor fire.
But if it had to perish twice,
I think I know enough of hate
To say that for destruction ice
Is also great
And would suffice.

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Perdaedores

Eu tenho um gato
  Com fama de comedor:
  É o terror do roedor,
É morte que vem do mato.

Na surdina, afia as garras.
  Ao menor ruído dispara
  E a vítima nem repara:
Já na boca jaz entre barras.

Brinca, cruel,
  com presa indefesa
Jogada ao céu
  E do chão à dureza.
  Presa por natureza
Prova do fel
  Na vida, em tristeza
E na morte, ao léu.

Cego e furado, já sem amarras
  O gato o devora e retalha,
  Alheio da vida a represália:
Outro felino por trás o agarra.

De feroz caçador de rato
  À caça de maior predador:
  Ganhou fama de perdedor
E tomou no rabo.

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Lua-de-fel

Têm Amor e Poesia
  Sobretudo em comum
Que ambos pedem harmonia
  Para só haver um.
  Como água e atum
Deslizando à revelia
  Um do outro, nenhum
Rompendo a maresia;

  Assim o poeta versaria
Sobre linhas ondulantes
  Se chocando entremecidas
  Qual ânsias umedecidas
Sobre corpos tremulantes.
Suspirantes, concordantes
  Que algumas obedecidas
  Regras bem conhecidas
Tornam mais estimulantes
  A ambos: Amor e Poesia.

E da música e cantoria
  Regada a vinho e rum
Sem harmonia a melodia
  A embalar velho bebum
  Em balada em Cancún:
Esta à noivos em euforia
  Soa um tanto incomum
Sem Amor e Poesia.

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Venereabilidades

Me sinto tão Vulnerável
  Sem você por perto…

  Como se ao deserto
Em calor tão Intolerável
Me dobrando, Miserável
  Se esvaísse incerto
  De meu cerne aberto
Segredos e medos, Incontrolável.

Como mãos da areia brotando
  Tremulantes e Bruxuleantes
Subindo as pernas tateando
  Vacilantes e Hesitantes
Em mim por fim encontrando
À portas fechadas, forçando
  Sutilmente mas Constante
À minha timidez derrubando
  E Confiantes e Exultantes
De minha essência se saciando.

Sanhas e fados, Irreparável
  Perdas, que me alerto:
  “Desatualizado, é certo.”
Me deixo levar, Inenarrável
Consciência tão Subjugável
   Que, coração em aperto…
 
  Com você já me cerco
Invulnerável, ladra Venerável…

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O Tolo e o Sábio

O sábio que há em você
não sabe o que sabe
o tolo que não se vê.

Sabe que não se vê
o tolo que não sabe
o que há de sábio em você.

Mas do tolo que há em você
não sabe o sábio que você vê.

— Mario Chamie, Caravana Contrária, 1998

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Ídolos

De poeta e louco
Todos têm um pouco,
E a mim sempre aprazia
Ter pouco mais que a maioria.

Mas não tanto quanto
  Certos mártires e pop stars,
  Corações e tripas a brilhar,
Subjugando em encanto
E em horror e em pranto
  Anônimos egos a se espelhar
  Agora mudos a desacreditar
Teu ato final e descanso.

Outro ídolo jovem se irradia
Apedrejado, sem a simpatia
De público esperando louco
De ti mais um pouco.

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Lalau

Pense grande: roube muito!
  Justiça morosa com juros premia
  Espertos, não ladrão de galinha
Medíocre, em retorno afoito
À cela, familiar, e ao coito
  Com velhos compadres de agonia
  Esperançosos que de bolsa-família
Prole grande receba muito!

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Liberdade

Um dia, tão cansado
Só no quarto trancado
Em games chafurdando
Em chats chateando
E planilhas planejando
E vírus e trojans limpando
  Abri a janela
  E pulando por ela
  Me encontrei em outro mundo.

  Era muito mais vasto e profundo
  Mas, pinguim de sentinela
  E manual à lapela,
Me vi com apaches explorando
Terra em que gnus iam trotando.
De tartaruga casco tomando
E cobras e gemas encontrando,
De vida insípida fui liberado
E fiquei mais inspirado.

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Elegia a Elogio

Gracejos fúteis
  De bocas ruminantes
Para linhas atrozes
  Por olhos vacantes
Passando inúteis

  «Elogio a Elegia»

Pessoas inférteis
  Por hora vacilantes
Para linhas atrozes
  Desembocando rampantes
Garatujas férteis

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Arte

Esculpir este mundo
  à nossa própria maneira
Extraindo bem fundo
  Do mármore e madeira
    E de som e lumieira
  E de palavra e peneira
E do cerne profundo
  De nossa alma arteira
O propósito oriundo.

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